BOHEMIAN RHAPSODY: 29 Fatos distorcidos pelo filme

4 de novembro de 2018 Diego Domingos
Bohemian Rhapsody

Bohemian Rhapsody

Sim, sim, Cinemaaaaaaaaster. Eu realmente espero que todo mundo saiba que um filme – por mais que ele seja uma cinebiografia – ele vai trazer elementos e narrativas criadas especificamente para o filme. Foi assim com Bohemian Rhapsody, foi assim com A Teoria de Tudo, foi assim com Steve Jobs. É assim que funciona!

Até porque, se alguém quiser a realidade completa, assista a um documentário não ficcional, porque um longa em si ele é ficcional. Até mesmo O Primeiro Homem – que é uma das cinebiografias mais realistas dos últimos anos – colocou em dúvida se o momento em que Neil Armstrong deixa na lua a pulseirinha da sua filha é verídico ou não.

Mas ainda assim, concordo que Bohemian Rhapsody possa ter pisado na bola em meio as várias mudanças de fatos que realmente aconteceram.

E antes que alguém pense, “Mas nossa, como o Queen deixou isso acontecer?”.

Bohemian Rhapsody é uma cinebiografia autorizada por Brian May e Roger Taylor, ou seja, eles aprovaram o roteiro e todas as suas mudanças.

Então Cinemaster, partiu conferir uma a uma todos os fatos verídicos, mas que foram meio que distorcidos no filme, mas claro, tudo bem prol e uma narrativa cinematográfica. Afinal, a ideia nunca foi fazer um documentário:

  • O diagnóstico de Freddie Mercury com relação a AIDS vem mais cedo no filme, Cinemaster. Na produção, Freddie confirma que está com a doença antes do Live Aid, que aconteceu em 1985.
  • Na realidade, Freddie descobriu que tinha AIDS em 1987, quem confirmou foi Jim Hutton, em entrevista para a Express no começo dos anos 2000.
  • No filme, Freddie avisa aos membros do grupo que contraiu a AIDS antes do Live Aid, o que também não processe. Isso porque tendo em vista que ele descobriu ser portador da doença depois do Live Aid, logo, os membros souberam também em uma data posterior ao concerto, Cinemaster.
  • Em Bohemian Rhapsody, momentos antes da apresentação no Live Aid, Freddie vai sozinho de sua casa, passa pela casa de Jim, pela casa dos seus pais para apresentar o seu “amigo”, e em seguida ambos vão para o Live Aid.
  • Não foi bem assim que aconteceu, Cinemaster. Queen havia feito uma mega turnê um ano antes do Live Aid com relação ao álbum The Works.
  • E mais, enquanto no filme Freddie é visto como alguém que quer destruir a família Queen por ter assinado um contrato solo de US$ 4 milhões, na vida real todos os membros do Queen gravaram álbuns solo. O que é um tanto curioso tendo em vista que Freddie é transformado em um monstro no filme por tal ação, quando na realidade de fato não foi nada assim.
  • O filme também coloca Cinemaster a descoberta da AIDS por parte de Freddie Mercury como sua motivação para se reunir com a banda para o Live Aid, dando a ideia de que aquele seria o seu fim.
  • Mas na vida real também não foi assim. Como no Live Aid Freddie ainda não tinha descoberto que tinha AIDS, ele cantou com a sua motivação de realmente fazer o que ele sabia fazer de melhor, entreter as pessoas “e dar a elas o que elas querem”.
  • Um ano depois do Live Aid, Queen ainda lançou mais um álbum e ainda saiu em turnê.
  • O filme afirma que Brian, Freddie e Taylor se conheceram pra valer depois do show da banda Smile, apesar de Freddie já dizer que conhecia o grupo por conta dos show.
  • Na vida real, May, Taylor, Tim Staffell e Freddie chegaram a dividir um apartamento, enquanto Mercury já havia feito parte e uma banda, chamada Ibex. E conforme Roger Taylor disse ao Hollywood Reporter Cinemaster, Freddie sempre foi “supremamente confiante”, é como se ele soubesse que realmente tivesse nascido para ser uma estrela.
  • A forma com que Freddie e Mary Austin (espetacularmente vivida por Lucy Boynton, e eu curtiria muito Cinemaster se ela fosse indicada ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante, uma bela atuação) se conheceram – pouco depois de um show do Smile – é verdadeiro, bem como todo o começo do relacionamento deles, quando ele vai na Biba encontrá-la.
  • No entanto Cinemaster, Bohemian Rhapsody não menciona que Brian May já havia namorado Austin muito antes de Freddie conhecê-la. E foi o próprio May que revelou a curiosidade ao Yahoo!
  • Quando Freddie então soube que os dois já tinham tido um relacionamento, Mercury conversou com May se estaria tudo bem em convidá-la para sair, e assim o relacionamento dos dois ficou ainda mais forte. Em seguida, Mary começou a acompanhar o grupo.
  • O pedido de casamento, o anel e o sim, é tudo verídico, Cinemaster. Inclusive, aconteceu daquele mesmo jeito, em todos os seus detalhes.
  • Na vida real, Mary até se tornou assistente pessoal de Freddie por um tempo, e quando perguntado porque Mary Austin era sua amiga, nos anos 80, Mercury disse Cinemaster que ela era uma pessoa impossível de ser substituída. Nos anos 2000, Mary disse que era realmente muito difícil ficar longe de Freddie Mercury, mesmo quando ela já estava casada e com filhos, e que os dois só se separaram realmente no momento de morte dele. E que ainda assim a “separação” foi difícil. Sensacional a relação dos dois no filme, Cinemaster. É realmente emocionante.
  • No longa, Austin realmente passa um pouco de tempo fora de cena, sem responder aos telefonemas de Freddie. Pois bem, essa distância não é verdade. Apesar do “conflito”, bem entre aspas, na constatação quando ela diz para Freddie que ele é gay, os dois nunca se separaram ao ponto de deixarem de se comunicar.
  • Com o objetivo de trazer uma trama PG-13 Cinemaster, Bohemian Rhapsody deixa em off boa parte das aventuras sexuais que Freddie Mercury teve, tanto em Londres, quanto (e mais ainda) nos Estados Unidos.
  • Outro detalhe importante Cinemaster é que ao contrário do filme, Freddie Mercury nunca chegou a apresentar Jim Hutton para sua família. Quando questionado, Mercury dizia que Jim era seu jardineiro.
  • Paul Prenter na vida real Cinemaster não era realmente o vilão por trás do Queen. Ele era visto por May e Taylor como uma “má influência”, principalmente pela forma como Hot Space – tido como um dos álbuns mais fracos da banda – foi lançado.
  • E enquanto o filme mostra que apenas Freddie foi para a Alemanha, todo os membros do Queen também foram para lá. E de fato algumas brigas criativas aconteceram durante a estadia deles no país.
  • E ao contrário da separação, o que eles fizeram na vida real foi justamente o que Freddie sugeriu no filme, diminuir a produção de shows por turnês.
  • Bohemian Rhapsody Cinemaster também muda a causa pela qual Prenter foi demitido. No filme, a gota d’água é ele não ter falado para Mercury sobre o Live Aid, quando na verdade Prenter foi demitido um ano depois do Live Aid.
  • E ao invés de ir à TV como no filme, o vilão de Bohemian Rhapsody, recebeu algumas grandes libras esterliadas para vazar informações sobre Mercury ao The Sun.
  • Outro fato que diferente totalmente da realidade é que no filme, Paul Prenter monta um plano para tirar John Reid (Aiden Gillen) de cena. Ele comenta sobre a proposta que Freddie recebeu de uma gravadora para seguir carreira solo. Paul então conversa com Mercury, que o acusa de querer separar sua família.
  • Na vida real, Paul não fez nada disso e o advogado do Queen, Jim Beach, disse nos anos 90 que as duas partes se separam de forma amigável e que a banda e o antigo empresário tinham um bom relacionamento depois da separação.
  • Woooooow, Cinemaster. E o que falar de Ray Foster, vivido por Mike Myers, que foi dito por Freddie que ele seria conhecido por ter recusado o Queen. Pois bem, Ray nunca existiu. O que o filme fez Cinemaster foi unir vários empresários que passaram pela vida da banda e que não acreditaram no potencial deles. Mas o tocante a Bohemian Rhapsody é uma referência clara a Paul Watts, que disse o seguinte, “Eu estava esperando algo muito especial. Então, quando eles tocaram Bohemian Rhapsody, minha reação foi, “Que porra é essa? Você está louco?”
  • E “Who Wants To Life Forever”, que no filme é colocado por Bryan Singer no momento que Freddie está ciente do HIV, o que sugere que os momentos do Queen fizeram a música como inspiração do que Freddie estava passando, na verdade, Brian May compôs a música para Highlander – O Guerreiro Imortal.
  • E as doações no Live Aid, que não estava acontecendo até o momento épico do show de Queen, também não aconteceu na vida real. O jornal Metro, do Reino Unido, diz que já no começo da transmissão as doações estavam de vento em polpa.

E o Queen depois do Live Aid?

Pois bem Cinemaster, logo após o Live Aid eles lançaram mais um álbum e saíram em turnê. O grupo também continuou na composição de músicas até pouco antes da morte de Freddie Mercury, em novembro de 1991.

Em testamento, Freddie deixou para Mary Austin as duas mansões ele em Londres mais todos os royaltes de suas músicas. Ela vive até hoje em uma das duas mansões de Freddie, e cuida de tudo o que é relacionado a imagem da lenda.

Paul Prenter, tido como o vilão de Bohemian Rhapsody, também morreu de uma doença em decorrência da AIDS, em 1991, no mesmo ano que em Freddie faleceu.

Jim Hutton, parceiro de Freddie até seus últimos dias, morreu em 2010 vítima de câncer.

Em 97, o baixista John Deacon se aposentou completamente, enquanto Brian May e Roger Taylor continuaram na estrada. Entre 2004 e 2009 Cinemaster, Paul Rodgers se apresentou com o Queen como vocalista, e agora nos anos 2010 May e Taylor lançaram o projeto Queen + Adam Lambert, que continua até hoje.

E te digo mais Cinemaster, tudo bem que Bohemian Rhapsody não é o filme mais perfeito do mundo no sentido de retratar Freddie Mercury em toda sua profundidade. Mas não há longa-metragem ou documentário mais real que venha a bater o filme de frente. Simples assim!

Com roteiro de Anthony McCarten, o mesmo de A Teoria de Tudo e O Destino de uma Nação, e direção de Bryan Singer, Bohemian Rhapsody tem estreia no Brasil confirmada para 1º de novembro!!!