BOHEMIAN RHAPSODY: O que deu certo e o que não deu certo!

5 de novembro de 2018 Diego Domingos
Bohemian Rhapsody

Bohemian Rhapsody

Sim, sim, Cinemaaaaaaaaaaaster. Confesso que eu também tava ansioso e curioso pra comentar com você Cinemaster sobre o que realmente deu certo e o que não deu certo em Bohemian Rhapsody.

Eu simplesmente estou e sou fascinado pelo filme, pela história e pela trilha, obviamente. Mas ainda assim Cinemaster,  Bohemian Rhapsody apresenta falhas que em nada tira o brilho do filme.

E no fim das contas Cinemaster, o resultado é que apesar das várias distorções que Bohemian Rhapsody faz com relação a história de Freddie Mercury e do Queen, o filme continua emocionante, vibrante, o que torna o legado do Queen ainda maior.

Então, partiu conversar Cinemaster a respeito do que funcionou e do que não funcionou em Bohemian Rhapsody.

O que funcionou em Bohemian Rhapsody

Classificação Indicativa

Bohemian Rhapsody Cinemaster chegou aos Estados Unidos PG-13, no Reino Unido foi 15 anos e aqui no Brasil 14 anos. Tudo bem que a classificação indicativa obviamente é em decorrência da história. Mas isso funcionou Cinemaster sobretudo porque Roger Taylor e Brian May realmente quiseram que Bohemian Rhapsody fosse um filme para que toda a família pudesse assistir, como de fato é.

História

Sim, sim, Cinemaaaaaaaster. Você vai ver que o tópico história está em que no que funcionou e no que não funcionou. Mas vou te explicar. A história de Bohemian Rhapsody Cinemaster funcionou exatamente em querer ser um filme para o grande público assistir.

Tudo bem, reconheço que eu amaria um filme dirigido por David Fincher, com uma fotografia técnica, com uma direção de arte técnica, mas sendo bem sincero com você. Isso não seria o filme do Queen. No filme, os próprios integrantes da banda dizem que o Queen é para todo mundo ouvir. Então, trazer a real história de Freddie Mercury completamente expressiva, já que ele realmente tinha um apetite sexual extremamente alto, tornaria Bohemian Rhapsody um filme de arte. E nem de longe, nem de perto essa foi a pretensão da Fox e menos ainda de Brian e Roger. Mas ainda assim, digo a você como alguém que já viu de tudo em grandes filmes R, Bohemian Rhapsody não subverteu a sexualidade de Freddie Mercury ou o representou em um tom homofóbico. O filme mostrou Freddie realmente como era, um performático, um artista, e que tinha ciência de que sua originalidade era o que tornava ele e o Queen duas grandes lendas da música e da cultura mundial.

O Elenco

AAAAAAAAAAAA, Cinemaster. Confesso que antes de conferir Bohemian Rhapsody eu realmente imaginava que o mérito da atuação seria totalmente de Rami Malek. Claro, é inevitável que ele retenha todos os elogios, afinal, Rami realmente viveu Freddie Mercury. Ele perpassou o sentido de atuação, ele realmente viveu Freddie Mercury durante os oito meses de filmes.

Mas quero deixar os parabéns aqui também a todo o quarteto, Cinemaster. Gwilym Lee como Brian May, Ben Hardy como Roger Taylor e Joseph Mazzallo como John Deacon também viveram seus respectivos papéis com uma vibração, com uma realidade que toda a sala IMAX Cinemaster simplesmente foi a loucura com as semelhanças visuais e todo o trabalho de composição artística para com os instrumentos.

Sensacional! Eu nunca vi uma química tão sensacional como essa em um filme biográfico que tinha música como tema. Espetacular.

A Voz de Freddie Mercury (Mixagem de Som e Edição de Som)

Um dos elementos que me deixava mais tenso com relação a Bohemian Rhapsody Cinemaster era com relação a voz de Rami Malek como Freddie Mercury. E o resultado da mixagem de som não me decepcionou. Caso você não tenha conferido o PostMovie Cinemaster, são na verdade três vozes que juntas formam a voz de Freddie Mercury no filme

A primeira é a de Rami Malek, a segunda é a do real Freddie Mercury e a terceira é de Marc Martel, tida como a única pessoa até então a ter o timbre mais semelhante ao de Freddie.

A grande sacada aqui Cinemaster era que a voz de Rami não ficasse destoada da de Freddie na seguinte forma: o filme geralmente traz cortes entre os diálogos para em seguida trazer Freddie – Rami Malek – se apresentando. Mas há cenas em que ele canta, para e fala os diálogos do filme.

Dessa forma, a mixagem de som tinha por objetivo fazer com que o som de Freddie Mercury não ficasse muito diferente da voz de Rami Malek. Tudo bem que Malek estava imitando a voz de Mercury, mas é meramente impossível chegar no mesmo tom, logo, o que a mixagem fez foi unir tudo isso pra tornar até mesmo a voz de Malek mais sonora. 

Caso contrário, assim que ele parasse de cantar – como Freddie – e começasse a falar como Freddie, mas na voz de Malek, ficariam sons completamente distintos. E a equipe nesse aspecto fez muito bem. E com relação a mixagem e a edição de som no geral, um ótimo trabalho também. Inclusive, acredito que possam vir duas indicações ao Oscar por aí. A maneira com que o som, e mais ainda, a maneira com que as músicas do Queen foram editadas e mixadas… resultou num trabalho estupendo. =D

P.S. E Malek realmente cantou todas as músicas no set, já que ele mesmo disse que não sabia até que nível sua voz seria usada na versão final do filme.

Os trajes de Freddie Mercury

Freddie Mercury por si só já atraia atenção de todo mundo e os seus trajes realmente aumentavam e elevavam a performance para um nível cada vez mais artístico. E nas mãos de Julian Day, os trajes de Mercury para Bohemian Rhapsody foram fielmente retratados

E uma curiosidade que o próprio Julian revelou ao Hollywood Reporter Cinemaster é que o cinto e a braçadeira que Malek usa na apresentação do Live Aid são os mesmos que Freddie usou em 1985. Ele conseguiu  emprestado para as filmagens de Bohemian Rhapsody do lugar para onde Mercury havia doado as duas peças logo após a apresentação.

O que não deu certo em Bohemian Rhapsody

Cinemaster, só pra consta que esse “não deu certo” é realmente uma questão de pequenas falhas, nada que venha a tornar o filme ruim, vou dizer assim.

A direção de Bryan Singer

Confesso que eu fui bem Tomé com relação a direção de Bryan Singer Cinemaster, sempre o vi como o cara que não era o diretor certo para Bohemian Rhapsody. Mas é aquilo, o cinema é assim, pode surpreender. Então, confesso que eu não me decepcionei com relação a direção dele para a produção, mas ainda assim poderia ter sido mais técnica.

Um detalhe curioso é que as cinebiografias britânicas têm uma tendência de serem completamente em função da história e menos em função de criar um balanço entre história, atuação e linguagem cinematográfica.

Por exemplo, antes do filme do Queen, as duas últimas grandes cinebiografias britânicas foram A Teoria de Tudo e O Destino de uma Nação, ambos inclusive roteirizados por Anthony McCarten, que inclusive ele roteirizou Bohemian Rhapsody

Note que os dois filmes são focados na história e não em uma direção voltada para a linguagem cinematográfica. E mesmo Singer sendo um diretor americano, ele se utilizou disso meio que pra tornar o seu trabalho mais fácil. Mas te digo que Bohemian Rhapsody nas mãos de um David Fincher da vida, caramba, tinha ficado – visualmente – ainda mais deslumbrante.

P.S. E só pra constar que a direção de Singer no Live Aid ficou espetacular.

Os Efeitos Visuais

Os efeitos visuais Cinemaster não ficaram um Avatar da vida, mas é aquilo, para um filme de US$ 58 milhões, com diversos sets que precisaram ser construídos do zero. Confesso que eu fiquei tranquilo com relação aos efeitos, apesar de que em alguns momentos era realmente fake 90% da plateia no Live Aid. Mas ainda assim, nada que torne Bohemian Rhapsody menor.

A História

Lá em cima eu comentei com você Cinemaster que o tópico história iria aparecer tanto dentro do que funcionou quanto dentro do que não havia funcionado.

E de fato, a crítica americana e a europeia caíram em cima do filme por inverter fatos, histórias, tornar vilão um personagem que na vida real não foi vilão. E o mair comentário de todos, a representação da vida sexual de Freddie Mercury. Então, claro, se Bohemian Rhapsody tivesse sido para maiores de 16 anos ou para maiores de 18 anos, o filme focaria mais no que realmente foi a vida de Freddie Mercury. 

Mas Cinemaster, você também entende que isso diminuiria a experiência pretendida pelos produtores de tornar o filme uma experiência do Queen para as novas e antigas gerações?! Exatamente!

Confesso que coloquei a história como parte do que não funcionou  apenas para dar atenção ao fato de que, o filme não é sobre Freddie Mercury. Inclusive, foi isso que fez Roger e Brian tirarem Sacha Baron Cohen da cinebiografia. Ele queria uma produção sobre Mercury, mas o Queen não é apenas sobre Mercury. E Bohemian Rhapsody deixou ainda mais expressivo Cinemaster o fato de que cada um realmente completa o outro.

Não foi apenas Freddie Mercury quem compôs as mais icônicas músicas do Queen. Não foi apenas Freddie Mercury que acertou na melodia de Bohemian Rhapsody. Não foi apenas Freddie Mercury quem percebeu que a interação do público era mais do que fundamental para a banda, a ponto do público se tornar parte de uma das minhas músicas favoritas.

Então, utilizo esses argumentos como forma de dizer, não Bohemian Rhapsody não tinha que ir mais fundo na história de Freddie Mercury, porque o filme não é apenas sobre ele, é sobre quatro caras que apostaram tudo na vida para criar algo tremendamente original na música da época. E a sexualidade de Mercury não foi esquecida, mas realmente, a experiência cinematográfica em termos do legado da música do Queen precisava se sobressair com relação a vida pessoal de cada membro. 

Com roteiro de Anthony McCarten, o mesmo de A Teoria de Tudo e O Destino de uma Nação, e direção de Bryan Singer, Bohemian Rhapsody tem estreia no Brasil confirmada para 1º de novembro!!!