X-MEN: FÊNIX NEGRA [REVIEW]: A trilha de Hans Zimmer merecia um filme melhor

5 de junho de 2019 Diego Domingos
X-Men: Fênix Negra

X-Men: Fênix Negra

Sim, sim, Cinemaaaaaster. Finalmente chegou o dia de assistir X-Men: Fênix Negra. O filme é bom. Mas ser apenas bom já não é mais argumento que possa ser utilizado como desculpa. Afinal, eu e você Cinemaster estamos falando do quarto filme da nova franquia X-Men e nada menos que 20 anos se contabilizados desde as filmagens do primeiro X-Men, em 1999. Com isso, X-Men: Fênix Negra é apenas mais um filme bom que se utiliza de uma história fraca, sem emoção e altamente superficial. É como se Simon Kinberg preferisse que o filme fosse chamado de um bom/fraco do que de visionário, por tentar (e se fosse o caso errar, mas ao menos com a tentativa feita) de trazer algo realmente diferente do mais do mesmo que Bryan Singer trouxe durante todos esses anos. Com exceção, claro, de Matthew Vaughn em Primeira Classe.

No final das contas, X-Men: Fênix Negra Cinemaster não é nem uma homenagem a esse ciclo de 20 anos (não, eu não esperava por um Vingadores – Ultimato, mas o próprio Simon Kingberg explicou que Fênix Negra sempre foi concebido como o filme final de toda uma franquia) e muito menos é uma homenagem à história iniciada com o melhor filme X-Men produzido até então: Primeira Classe! E se não fosse a trilha sonora de Hans Zimmer, que é melhor do que todo o filme, nem mesmo o elenco brilhante e instigante da produção salvaria X-Men: Fênix Negra de ser apenas um filme bom que não se esforça em momento algum para ser melhor do que isso.

X-Men: Fênix Negra

X-Men: Fênix Negra

História

Antes de mais nada Cinemaster, neste review não vou entrar no propósito comparativo do filme com a HQ Fênix Negra. Isso aí eu e você vamos fazer em PostMovies Especiais. O foco desse review é realmente só e somente só no filme. Continuando! A duração curta de X-Men: Fênix Negra Cinemaster funciona como uma espécie de aviso para você assistir ao filme com cautela. Afinal, como que uma história que é apresentada nos trailers como complexa pode ser desenvolvida em uma hora e quarenta minutos de filme?! Novamente, não estou me referindo ironicamente a Vingadores – Ultimato, mas foi isso que Fênix Negra vendeu em seu material de divulgação.

Simon Kinberg Cinemaster não tem por objetivo algum trabalhar de maneira diferente na forma com que a história de um filme X-Men poderia ser apresentada. Ele, assim como boa parte dos longas anteriores, inicia a história no passado, mostrando Jean Grey pequena e seu contato traumático com poderes e por conseguinte com Xavier. É um começo interessante, tendo em vista que o foco do filme parecia ser realmente o confronto psicológico entre Charles Xavier e Jean Grey. No entanto, Simon adiciona ações e personagens que servem apenas para aumentar a expectativa sobre algo que não vai ser entregue no final.

A vilã de Jessica Chastain é completamente desnecessária para a história. E Simon cometeu um gigantesco erro, X-Men: Fênix Negra não precisava de antagonista, ou da tentativa de se adicionar uma antagonista já que Jessica Chastain não serviu para absolutamente nada ao longo do filme. As próprias psicologias de Xavier e de Jean Grey poderiam ter sido utilizadas de forma a aprofundar o relacionamento dos dois. Tanto que Xavier e Jean são vistos ao longo de todo o filme como heróis e vilões. E se o filme é exatamente sobre eles, qual a razão de tentar desfocar a trama com quem não é necessário para a história?

A prova é tanta Cinemaster que X-Men: Fênix Negra deveria ter tido sua história criada por meio da melhor cena de toda a produção. O momento que Jean Grey adulta e desacordada faz com que o seu eu criança se encontre com Xavier na mente do professor, é o melhor exemplo de que aquele sim era o tom de X-Men: Fênix Negra. Cinemaster, o que Simon Kinberg tinha nas mãos era uma história altamente psicológica e complexa, que ele mesmo tentou desenvolver, mas que ao mesmo tempo deu um passo para trás. Ele realmente deveria ter seguido por essa linha.

A morte da Mística, por exemplo, que a bem da verdade funcionou como um alívio para Jennifer Lawrence, já que é totalmente prático de se entender a razão pela qual ela assinou para fazer o filme (Lawrence só está em 30 minutos), é utilizada por Simon Kinberg em X-Men: Fênix Negra como uma espécie de choque para dividir os X-Men entre os que querem matar Jean Grey e os que querem salvar Jean Grey. Mas no resumo da ópera Cinemaster note que o filme nessa altura do campeonato não é mais sobre a Fênix Negra. Na batalha final, que de batalha só tem o nome, os X-Men lutam por Raven, em nome de Raven e pela memória de Raven. Ou seja, Kinberg se perdeu completamente em seus objetivos narrativos, já que salvar Jean Grey acaba por se tornar meramente uma consequência do que Raven faria, e não porque Jean Grey como pessoa realmente merecia ser salva.

Mediante isso, com uma história que fica apenas no superficial, sem ir fundo no psicológico dos seus dois personagens principais – Xavier e Jean Grey – X-Men: Fênix Negra, que tinha realmente um potencial incrível de ser um filme altamente original, acaba por se tornar apenas mais um. Repito, é um bom filme! Mas “bom” já não é mais o suficiente para o que a franquia X-Men precisava e para o que Simon Kinberg se propôs a entregar.

Agora, o que me fez abrir um sorriso no final de X-Men: Fênix Negra foi o fato de que FINALMENTE, TODOS ESSES PERSONAGENS ESTÃO NA MARVEL STUDIOS!

X-Men: Fênix Negra

X-Men: Fênix Negra

Personagens

É inquestionável Cinemaster que o elenco de X-Men: Fênix Negra é um dos melhores entre os blockbusters do momento: James McAvoy, Jennifer Lawrence, Michael Fassbender, Nicholas Hoult (o quase Batman), Jessica Chastain e Sophie Turner são ótimos atores e eles realmente se esforçam em seus papéis, mas os próprios textos de Simon Kinberg não ajudam.

Jennifer Lawrence e sua Raven poderiam ter sido apresentadas no filme como o meio do confronto psicológico entre Jean Grey e Xavier, com a Mística representando a família X-Men, e com os dois (Jean e Xavier) em seus lados “bom” e “mau”. Sophie Turner realmente mostra que é uma boa atriz, sua atuação é bem interessante, inclusive. Mas Cinemaster, eu não chamo nem de decepção, eu chamo de falta de profissionalismo por parte de Simonberg. A vilã de Jessica Chastain foi de lugar algum para lugar nenhum. Sua personagem se chama Vuk, da raça alienígena D’Bari. Mas Cinemaster, para onde foram os US$ 200 milhões de orçamento que nada sobre esse império foi apresentado?! Quem é Vuk em seu planeta, qual a importância desse planeta para o universo? Eu não esperava por uma explicação no nível X-Men: Apocalipse, mas era necessário algo para ambientar os aliens.

A vilã de Jessica Chastain vem vazia, vem com aquele único e já ultrapassado objetivo unilateral: acabar com os humanos para transformar a Terra no planeta que havia sido destruído pela explosão solar, pela entidade cósmica. Não há algo profundo! Digo novamente, X-Men: Fênix Negra não precisava de uma antagonista, as próprias psicologias de Xavier e Jean Grey já eram mais do que suficientes para aprofundar se realmente haveria ou não um “good guy” e um “bad guy” no filme.

P.S. E eu realmente tenho para mim que Jessica Chastain era uma Skrull, mas que foi alterada durante as refilmagens, por conta da semelhança com Capitã Marvel.

X-Men: Fênix Negra

X-Men: Fênix Negra

Direção

Mas pelo menos 2% de Fênix Negra ainda se salvam, Cinemaster: a direção de Simon Kinberg e a trilha sonora de Hans Zimmer, que vou detalhar com você no tópico seguinte. Kinberg realmente merece o mérito de uma direção bem trabalhada. Inclusive, X-Men: Fênix Negra é seu filme de estreia na função, e para um primeiro trabalho, mais do que bem produzido. Simon se movimenta com a câmera, utiliza inclusive uma sacada que é muito legal, a de focar e desfocar a imagem para mostrar o conflito psicológico do personagem. Esse é um artifício inteligente para brincar com o espectador sem que seja necessário utilizar efeitos visuais. Afinal, se esse foco e desfoco causa um desconforto em você, o objetivo é exatamente esse, porque é isso que o personagem também está se sentindo, desconfortável com a situação. No quesito direção Simon Kinberg realmente mostrou que entende a função, e realmente aqui gostei muito do seu trabalho.

X-Men: Fênix Negra

X-Men: Fênix Negra

Trilha Sonora

Enquanto escrevo este tópico Cinemaster foi inevitável não abrir um sorriso, afinal, Hans Zimmer está de volta ao mundo das adaptações de HQs. Ele havia deixado de trabalhar em filmes do tipo depois do fracasso de Batman Vs Superman. É como se a aposentadoria de Hans fosse um aviso para “se fizer filme ruim, nem me chame para compor a trilha sonora.” E eu realmente não entendo a razão pela qual ele topou fazer X-Men: Fênix Negra. A trilha de todo o filme é muito melhor que a história apresentada. Por isso, a produção não tem cena pós-créditos, mas se eu fosse você Cinemaster ficaria até o final, já que outra trilha sonora de Hans para filme adaptado de HQ somente no meio de 2020 com Mulher-Maravilha 1984. E aí sim eu e você veremos o casamento perfeito entre história, imagem, direção e trilha sonora.

A sensação de assistir X-Men: Fênix Negra com a trilha de Hans Zimmer me lembrou imediatamente Batman Vs Superman, em que as cenas apresentadas e mau executadas, não condiziam com a espetacular trilha de Zimmer. A disparidade é realmente gritante, Cinemaster. Em Fênix Negra não chega a tanto como em Batman Vs Superman, mas em alguns momentos é bastante expressiva. No que é referente a elemento técnico, Zimmer trouxe para Fênix Negra uma trilha sonora realmente clássica, com mais instrumentos e menos “música eletrônica” (bem entre aspas). Inclusive, tem até vocal na trilha da produção, apenas para que eu e você possamos entender o nível artístico que Hans Zimmer trouxe para o filme. Então sim, a trilha sonora de Hans Zimmer é melhor que toda a produção.

X-Men: Fênix Negra

X-Men: Fênix Negra

Efeitos Visuais

Cinemaster, o cinema Hollywoodiano já provou por A + B que refilmagens grandiosas não salvam uma história fraca, e muito menos os efeitos visuais. Em X-Men: Fênix Negra os efeitos estão com uma ótima qualidade, as cenas no espaço, as cenas da entidade cósmica, tudo muito bem executado. Mas isso é o mínimo que se espera e era o mínimo que Simon Kinberg poderia entregar.

X-Men: Fênix Negra

X-Men: Fênix Negra

O fim de uma era poderia ter sido muito melhor

E como poderia, Cinemaster. Simon Kinberg realmente poderia ter apostado mais em X-Men: Fênix Negra. Ele poderia e deveria ter focado até o último segundo de filme em aprofundar o que estava nas mentes complexas de Jean Grey e de Charles Xavier. Era nesses dois personagens que o segredo do filme estava. Afinal, você quer oportunidade melhor para aprofundar uma história quando os dois personagens principais de uma trama têm psicologias dúbias, têm psicologias que ora pode ser bom, ora pode ser mau?! O que Kinberg deveria ter feito Cinemaster era começar a história com Jean e Xavier no centro e não com os X-Men.

Afinal, essa era uma história deles dois e não de todo um grupo. Nem mesmo ao título do filme a produção fez jus. Então, adeus X-Men da Fox. E que venha Kevin Feige com sua espetacular criatividade e com o time Marvel Studios mais do que pronto para daqui a dez anos quem sabe adaptar Fênix Negra novamente para o cinema. Mas agora, com a qualidade Marvel Studios.